Aconteceu no dia 15 de agosto, (sábado), na Casa São Francisco, (localizada no bairro São Bento, em Duque de Caxias), o II encontro de jovens pesquisadores populares. Foram convidados jovens que promovem pesquisas em seus respectivos bairros, professores, historiadores, para realizarem trocas de experiências de seus trabalhos, dicas que possam acrescentar às pesquisas e cuidados com arquivos.
Após o café da manhã, José Claudio Barros, gerente de programas da Care Brasil, comandou a dinâmica da Teia, para realizar a apresentação dos pesquisadores e deixar espaço para que falassem de seus sonhos, fatos marcantes de suas vidas, algo rápido, dinâmico e que estabelecesse uma comunicação entre todos os presentes para dar início ao dia que nos esperava.
A consultora do eixo de Memória e Comunicação, Marlucia Santos, fez a primeira mediação do dia: o livro História de Amor, de Regina Coeli Rennó, es depois induziu todos à uma reflexão das imagens na construção de uma história, já que o livro é composto apenas por figuras . Logo após este momento, todos mediaram Uma Idéía Toda Azul, de Marina Colasanti, e compartilharam reflexões sobre a mensagem do livro.
Depois de uma breve leitura sobre o que é um documento como fonte de pesquisa, Aline Souza do Nascimento, escritora de uma monografia sobre o bairro Campos Elíseos, contou sobre sua experiência no trabalho com arquivos. Ensinou como podemos preservar, conservar, higienizar, reparar pequenos danos para evitar que tornem-se maiores. Também falou da importância de manter a temperatura do local onde serão guardados os arquivos, que precisa estar arejada e sempre nesse mesmo padrão. Essas medidas são um conjunto de ações que interrompem o processo naturais e externos de degradação dos documentos e arquivos.
Nos alertou sobre esses fatores de degradação, já que, o projeto pensa em construir um arquivo para armazenar os documentos, fotografias, pesquisas do eixo de memória. Nos passou dicas de como iniciar a construção de um arquivo, como separar e especificar o local onde será armazenado cada material.
“Começei estagiando no Centro de Memória da FEUDUC (Fundação Educacional de Duque de Caxias). Meu primeiro contato com esse trabalho foi no Ensino Médio. Iniciei a faculdade de História em 2004, tirei a licenciatura em 2007. No mesmo ano, tive contato com o arquivo do SEPE RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação). No departamento de História da FEUDUC, eu era apenas uma estagiária e quando fui trabalhar no SEPE tive autonomia para montar o arquivo da instituição. Foi ai que me deparei com as dificuldades de ter acesso a um arquivo morto e transformá-lo em um arquivo de memória, portanto, vivo.Vi além da necessidade de construir conhecimento, a de preservarmos o documento. Escrevi uma monografia sobre o bairro Campos Elíseos, ao lado de cinco formandos na época na faculdade.” Aline souza do Nascimento, 22 anos, historiadora.
Contamos com a presença do Jordan de Alexandre no encontro, representante da ARCA (Associação Regional de Oralidade), recém graduado em História pela Unigranrio(Universidade do Grande Rio Prof. José de Souza Herdy):
Nos falou sobre suas experiências em entrevistas e a escolha dos entrevistados:
“Somente entrevistas irão nos trazer a reconstrução da história.Toda e qualquer memória tem sua importância, e pode sim, acrescentar uma pesquisa ou um acervo”.
Recebemos a visita dos CHP (Caçadores de Histórias Perdidas). Eles também promovem pesquisas sobre alguns bairros de Duque de Caxias.O grupo foi formado em 2008, pelo professor Antônio Augusto que é historiador e realiza pesquisas sobre o município. No início o grupo possuía 20 pessoas, hoje é composto por apenas 5 integrantes. O CHP participou do I encontro de Jovens Pesquisadores Populares, que aconteceu no C. E. Guadalajara, em 2008. Já conhecíamos um pouco do trabalho deles. O reencontro serviu para que eles contassem os progressos em sua caminhada desde o último encontro entre as equipes.
Encerramos o dia com um curta chamado, Vida Maria e a reflexão de cada um sobre o mesmo. O encontro foi marcado pela troca de experiências e um pequeno, mas substancial processo de formação, realizado por Marlucia Santos.