O Programa São Paulo da CARE Brasil em agosto encerrou a primeira etapa de formação de jovens como Agentes Pedagógicos Ambientais – APAs I. Com apoio da JP Morgan e Anglo American e com as parcerias de quatro escolas estaduais de ensino e da Associação Cultural e Comunitária Pró-Morato foram capacitados 236 alunos da rede oficial de ensino. A fase I se deu em oficinas de aprendizagem, cuja vivência lúdica possibilitou apreender os conceitos de mudanças climáticas, dos 5 Rs e da coleta seletiva, continuou com as Expedições do Saber: Visitas nos Parques da Região e o fechamento se deu com o I Encontro de APAs do Programa.
Dessa fase foram selecionados e capacitados 30 APAS para coordenar as “Tendas Econsciência”. Esses jovens participaram da Oficina de “Ecomunicação” cujo produto foi a criação do blog – “MORAPA” http://morapa.blogspot.com O blog esta sendo administrado pelo bolsista APA Ecocomunidor Roger, da Escola Rogério Levorin. Participaram ainda da oficina de Construção de Jogos e da Tenda Econsciência realizada pelos jovens APAs – Vanessa e Dariel e no apoio Mauricio e Luana. Jovens que fazem parte da Comunidade Educadora de Duque de Caxias/RJ.
Outra atividade de formação foi a Expedição Saber para a “Sociedade do Sol”, organização que atua no desenvolvimento de projetos nas áreas de energias solar e renovável. Lá os coordenadores APAs aprenderam como montar um aquecedor solar de baixo custo entre outras tecnologias que contribuem para a preservação do meio ambiente. O resultado começa a surgir. Três pais ao ouvirem dos filhos sobre a expedição se interessaram e foram fazer o curso de instalação do aquecedor solar e os jovens deverão instalar um na Ecoescola.
Com objetivo de que esses jovens interajam com o meio nas suas comunidades e com o espaço físico da escola, também participaram das Oficinas: “Bioconstrução: Pintura Ecológica” para a execução de tintas minerais de baixo impacto ambiental (cal e terra) e técnicas de aplicação. Teve como facilitador Francisco Lima, arquiteto e consultor do programa Ecoprático da TV Cultura. Oficina de Jardinagem e Paisagismo ministrada pelo engenheiro agrônomo paisagista, Salvador Franco, cujas aulas teóricas e práticas aconteceram no espaço da Ecoescola de Artes, Ofícios e Gestão de Negócios Pró-Morato. Esses jovens darão continuidade na revitalização do espaço e multiplicarão o conhecimento adquirido aos APAs das demais escolas.
Neste mês de setembro, com o inicio da primavera, esses jovens passam a atuar nas suas escolas com a Tenda Econsciência. Momento que esta sendo muito esperado e cheio de expectativa.
Com inicio em Abril encerramos a primeira fase do curso de capacitação a microeempreendedores em Técnicas Gerenciais que foi realizado no espaço físico da parceira Associação Cultural e Comunitária Pró-Morato. Participaram 37 pequenos empreendedores do município de Francisco Morato, em sua maioria mulheres que atuam com roupas, alimentação e artesanato.
O curso, que contou com 14 encontros, utilizou de uma metodologia APA - Aprendizagem pela Ação que com jogos e dinamicas de grupo facilitou a compreensão das tecnicas. Através dessa metodologia os empreendedores tiveram a oportunidade de verem a si mesmos, como eles de fato gerenciam seus negócios e o que podem melhorar.
Foram abordados temas da gestão de negócios como características do empreendedor, análise de mercado, análise do empreendimento, aprendendo a lidar com caixa, ponto de equilíbrio, calculo de custos, registros de controles, microfinanças entre outros que permitiu a cada participante construir o seu Plano de Negócios.
Os encontros de aprendizagem se deram em clima descontraído, de confiança, respeito e envolvimento. Isso permitiu aos participantes terem novas idéias e perceberem as mudanças necessárias para fortalecer o empreendimento.

Os empreendedores receberam em clima de festa seus certificados. Após o curso, os participantes já receberam as primeiras visitas dos técnicos que os auxiliarão na aplicação dos conteúdos trabalhados no curso.
Cristina Ferreira, 29 anos, conta que “quando recebi a visita da CARE para fazer o curso estava muito desanimada e pensando até em fechar o negócio e hoje estamos animadas em superar as dificuldades. O curso abriu a possibilidade de pensarmos em outras estratégias”. Ela e a irmã, Claudia Regina Ferreira, 32 anos. há dois anos trabalham atendendo encomendas de bolos e doces. Após trabalhar inicialmente em casa, instalaram o negócio em um ponto comercial no centro de Francisco Morato, mas o aumento da locação não permitiu manter o negocio e há oito meses estão em outro ponto. “A mudança de ponto veio junto com esse momento ruim da economia e dificultou o andamento do negocio e as vendas caíram. O curso veio bem nessa hora e foi quando resolvi fazer. Fiz outros cursos, só que não aprendi como organizar a parte administrativa e financeira e essa podia ser uma oportunidade de ver o que não estávamos fazendo.”
Cristina diz que além de aprender como implantar os controles o curso a motivou a continuar com o negócio, estimulando ainda a parceria com outros empreendedores como floriculturas, buffet, promotores de eventos, que encontrou no próprio curso. “Foi uma grande oportunidade. Com outras pessoas do curso pudemos divulgar nosso negócio, eles nem sabiam que existíamos”.
Embora ainda atuando informalmente, mas com alvará provisório, Cristina tem como meta a legalização do mesmo – “isso vem novas despesas como impostos, contador e por isso temos que vender mais”. Esse é o marco de crescimento para as empreendedoras que visualizando o plano de negócios e as necessidades estão otimizando as vendas e ampliando as mesmas para as cidades adjacentes, principalmente na cidade de Caieiras.

Os jovens aprendizes do curso de cerâmica, desenvolvido no Programa São Paulo, agora trabalham com um forno à gás para a produção das peças. O novo forno foi construído coletivamente com os alunos e faz parte de uma preocupação da artista plástica e educadora Lu Leão em aliar arte a boas práticas ambientais. A ceramista desenvolve o curso de cerâmica na Ecoescola de Artes e Ofícios Pró-Morato e adicionou no conteúdo do curso a Oficina para Construção de Forno a Gás.
“Nossa produção é artesanal e agora vamos aprender a queima com os fornos a gás. O poder calorífico de um botijão de 13kg de GLP corresponde à queima de 10 árvores. Esses fornos são mais baratos, permitem mais qualidade nos produtos e na queima”, explica a educadora. Com a substituição do forno tradicional pelo movido a gás, o processo também economiza a emissão de energia e reduz a emissão de gases poluentes na atmosfera.
A substituição da energia elétrica pelo gás trará outros benefícios adicionais, uma redução nos custos de produção e melhoria na qualidade do produto final. “Além da sua eficiência energética esse forno tem consumo mínimo de gás e tempo de queima controlado, com possibilidade de aumentar ou diminuir este tempo”, observa Lu Leão, sobre a possibilidade de controlar a qualidade do produto de acordo com a temperatura.
A produção da cerâmica é um processo com muitas etapas. Amassar a argila, modelar as peças, secar, queimar, decorar esmaltar e queimar pela segunda vez. Uma técnica milenar que atualmente busca outras tecnologias para minimizar o impacto no meio ambiente.
Além da troca do forno, outras matérias-primas tem sido substituídas por materiais alternativos. Lu Leão já vem desenvolvendo com os jovens a construção de suas ferramentas de trabalho reutilizando materiais reciclados. São pedaços de canos de PVC para a confecção de formas, garrafas plásticas, caixa de leite, potes de margarina e estecas feitas de varas de pesca. Ela acredita que agora chegou a vez do forno e quando tiverem mais domínio das técnicas, outras tecnologias ambientalmente corretas devem ser introduzidas no processo de produção, por exemplo, a queima com serragem.
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