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Carol Cunha

“Estóico”

Rick Perera, coordenador de mídia da CARE, observa a capacidade que os haitianos têm para resistir às adversidades

Essa será a minha última contribuição para o blog - Mas certamente não será a última sobre o Haiti, um país que cresceu em meu coração. Eu vou embora amanhã, em um voo fretado para trabalhadores de agências humanitárias.
Visitei o Haiti pela primeira vez há cinco anos, após a devastadora tempestade tropical “Jeanne”. Foi uma visita nada fácil de se fazer a um país e eu odeio pensar em mim como uma pessoa que apenas notou o Haiti depois de uma grande catástrofe.

Mas vale a pena notar o Haiti, mesmo que apenas agora. Porque quando as coisas estão piores - e é difícil imaginar algo ainda pior do que o terremoto de 2010 - os haitianos demonstram um nível de coragem e resignação admirável. Dizer que o povo de Porto Princípe está conformado seria um eufemismo. Eles estão incrivelmente fortes. Apesar de muitos terem perdido pessoas muito próximas e amadas, eles colocaram o luto de lado para que pudessem lidar com assuntos mais urgentes: alimentar suas crianças, permanecer seguros em um canto escuro e perigoso de uma cidade arruinada ou acostumar-se com os inevitáveis banhos de lama da temporada de chuva.
Pode ser chocante discutir a questão de perdas pessoais com um haitiano. Os ombros estão encolhidos, mas o trabalho continua ininterruptamente. Uma frase frequentemente escutada, “É a vontade de Deus”. Alguns haitianos ainda parecem sentir-se culpados pelo desastre que se abateu sobre eles. Em cerimônias religiosas a céu aberto em toda a capital, eles arrependem-se dos pecados da nação e buscam o perdão divino.

Alguns sentem intenso pesar e simpatia por aqueles que perderam tanto, e ainda assim tentam carregar a sua dor com dignidade. Mas acima de tudo, eu sinto admiração. Haitianos são inteligentes e patriotas. Muitos- especialmente as mulheres- são incrivelmente trabalhadoras. Elas suportaram mais dor e sofrimento em três semanas do que qualquer pessoa deveria enfrentar no decorrer de uma vida, e mesmo assim mantém suas cabeças erguidas. A diáspora haitiana está renovando seu comprometimento com a pátria - voltando a dar uma mão ou se aprofundando – e ganhou fundos para apoiar aqueles deixados para trás.

Por lei, esse povo tão talentoso e trabalhador, deveria ser tão rico quanto qualquer um no planeta. Mas eles foram confrontados por problemas graves - um governo fraco, a falta de cuidados com a saúde, até a gestão desastrosa do meio ambiente. Até que esses desafios sejam enfrentados, qualquer tipo de cobrança é impensável.

Nada disso, na verdade, poderia ter prevenido um terremoto, mas certamente poderia ter limitado os danos e fatalidades. Em todo o quarteirão você vê edifícios bem construídos, que sofreram poucos danos visíveis, lado a lado a escombros de habitações mal-construídas. Corrupção e falta de regras urbanísticas são as responsáveis pela morte provocado pelo abalo sísmico.

As coisas nunca mais serão as mesmas aqui - e não deveriam. O ímpeto por um Haiti renovado deverá vir dos próprios haitianos, mas o resto do mundo precisa se comprometer firmemente com esse amável e sofrível povo, durante o tempo que for preciso.
Eu já escrevi sobre um “novo calendário” denominado A.C. e D.C. – antes e depois da catástrofe. O Haiti precisa também de um novo relógio. É zero hora.

O cantor Michael Franti, líder da banda Spearhead e embaixador da CARE nos Estados Unidos, recriou o clipe da música “Hey World” em solidariedade ao Haiti. Assista.

“A situação no Haiti é um chamado para a ação, temos que lidar com a questão da pobreza numa escala maior. Senão vamos continuar a ver situações iguais ao redor do mundo”
Michael Franti

Carol Cunha

Mãos que curam

Rick Perera, coordenador de mídia da CARE, escreve sobre o importante papel dos médicos comunitários no tratamento de ferimentos leves no Haiti

No terremoto que devastou o Haiti, onde os ossos quebrados e as feridas abertas superam o número de médicos, as pessoas se acostumaram a uma longa espera por atendimento médico. Mas muitos que entraram numa casa de tijolos de barro – a casa de Saurel Saintie - esperaram mais tempo que a maioria. Para escapar da capital Porto Príncipe, esses pacientes viajaram cinco horas ou mais numa estrada esburacada e empoeirada, a bordo de ônibus velhos, na boléia de caminhões ou empoleirados em grupos de três a quatro pessoas em motocicletas. Muitos atravessaram semanas sem que seus ferimentos fossem tratados.

Quando eles chegam na zona rural ao noroeste da cidade de Gros-Morne, a primeira parada é para ver “o médico de ervas”. Os pacientes fazem uma fila para entrar no consultório de dois cômodos, escuro mas arrumado, onde um colchão está estendido no chão, ao lado de uma prateleira cheia de delicados bonecos chineses. O curandeiro tradicional usa aparelhos caseiros, emplastros e técnicas de massagem para tratar alguns dos ferimentos causados pelo colapso de inúmeros edifícios.

“Vou colocar um gesso nele por um mês e faremos fisioterapia a cada três dias”, diz Saurel, tocando suavemente uma àrea inchada nos ombros de Fidelien Joseph, 34 anos. O operário da construção civil estava em sua casa em Porto Príncipe quando o tremor veio, jogando blocos de concreto sobre ele. Hoje ele não consegue levantar seu braço. “Ele ficará OK depois de algumas semanas”, diz o curandeiro.

Antes de se tornarem sem teto, muitos dos migrantes da zona rural moravam em construções precárias em bairros populosos de Porto Príncipe. Aqueles que sobreviveram, alguns com ferimentos graves, sairam da cidade na primeira oportunidade. Dezenas de milhares têm voltado para suas fazendas e aldeias de origem.

A CARE, que vem trabalhando no Haiti desde que o furacão Hazel atingiu o país em 1954, identificou os praticantes da medicina tradicional como parceiros-chave na sua abordagem comunitária em situações de emergência.

“Curandeiros tradicionais são uma parte importante da rede do sistema de saúde aqui”, diz Francoeur Jean-Joseph, gerente de programas da CARE no escritório de Gros-Morne. “As pessoas tendem a fazer um contato inicial com eles e nós trabalhamos para educá-los sobre como proceder nos casos que necessitam de cuidados mais urgentes”. Ele acrescenta que profissionais como Saurel aliviam um pouco o atendimento do centro de saúde local, o Hospital Alma-Mater, que tem apenas vinte camas e já tratou quase 90 sobreviventes do terremoto.

Saurel, 50 anos, aprendeu o ofício com seu pai - uma tradição familiar que remonta a gerações. Ele é especialista em ortopedia, tratamento de entorses e fraturas simples. Casos mais complexos, como fraturas expostas ou lesões internas, são levados para o Alma-Mater.

Saurel está consciente dos limites de sua prática. Ele envia regularmente pacientes com HIV e AIDS para os médicos de Alma-Mater, para que façam o tratamento anti-retroviral. Mas ele também confia na sua capacidade de ajudar.

Para começar, esses locais rurais eram pobres - é por isso que muitos de seus moradores, especialmente os jovens, migraram para a cidade. Lidar com uma avalanche de pessoas deslocadas é forçar os recursos locais ao limite. Junto com a comida e abrigo, cuidados médicos são escassos.

Como a maioria dos residentes de Gros-Morne, Saurel parece cansado, mas menos estressado que os recém-chegados da zona do terremoto. Ele está trabalhando mais do que o habitual e também cuida de seus parentes, que se refugiaram ali.

O trabalho do médico tem ajudado muita gente. A jovem de16 anos, Jocelyne Philoma, como tantos outros, tinha ido à capital para ter acesso a educação. Quando a casa da tia caiu, ela sofreu hematomas e quebrou alguns ossos - mas está aliviada por estar viva. “Estou feliz por estar aqui, porque minha saúde melhorou, depois das fraturas”, diz. “Elas estão melhores, desde que o médico as tratou”. Saurel sorri e passa para o próximo paciente.

Fotos:Evelyn Hockstein/CARE

Centenas de haitianos fazem uma fila perto de um estádio na cidade de Porto Príncipe, à espera da distribuição de colchonetes e kits de higiene. A CARE distribuiu kits para 2.133 pessoas.

distribuicaoestadio1 - distribuicaoestadio1

A cidade de Porto Príncipe possui cerca de 36 mil grávidas que necessitam de cuidados especiais. A CARE distribuiu kits exclusivos para gestantes com itens como fraldas, cobertores e sabonetes.

kits gravidas - kits gravidas

Distribuição de arroz em Porto Príncipe, em parceria com o Programa Mundial de Alimentos, da ONU. A CARE já distribuiu alimentos para 17 mil pessoas.
fila arroz - fila arroz

Os kits de higiene são importantes para manter a saúde e evitar doenças. Já foram distribuídos cerca de sete mil kits que incluem produtos como sabonete, escova e pasta de dente, absorventes, xampu, papel higiênico, sabão em pó, fraldas de pano, corda para varal e toalhas.

kit higiene - kit higiene

A CARE instalou cinco tanques para armazenamento de água potável em acampamentos de desabrigados, quantidade suficiente para atingir 7.600 pessoas por dia.

EMG HTI 2010 EH 174 - Tanque com água potável, instalado pela CARE

Um lote com caixas de sachês de purificação de água é descarregado no aeroporto de Porto Príncipe.

HTI 2010 EH 28 - carregamento de purificadores de água

Artigo: Abby Maxman, diretora da CARE Etiópia e ex-diretora da CARE Haiti

Como todos nós estamos de luto, com tristeza e preocupação no rescaldo do terrível terremoto que atingiu o Haiti no 12 de janeiro, sou levada de volta para a minha experiência pessoal e profissional com o país mais pobre do ocidente. Como uma profissional de ajuda humanitária por mais de 20 anos, tento deixar para trás esta conturbada história, que nos eventos desta semana foram recordados, e relembro da minha própria experiência como diretora nacional da CARE no Haiti, entre 2004 e 2006.

Nas primeiras semanas quando tomei posse no Haiti, a tempestade tropical Jeanne passou pela cidade de Gonaives por vários dias e deixou a cidade debaixo d’água, provocando o caos e destruição, matando mais de 3.000 pessoas e deslocando dezenas de milhares. Esta tempestade foi considerada, até então, o pior desastre natural no Haiti em mais de 40 anos. Seja alguém que tenha uma experiência pessoal com o Haiti, seja um aprendiz de sua própria história ou simplesmente um ser humano, todos nós estamos de luto e sofremos pelo Haiti hoje.
Todos querem ajudar de alguma maneira. Todos temos dificuldades para entender como o Haiti pode sofrer tanto por desastres naturais, sustentado por questões criadas pelos homens, como a discriminação, a marginalização e forças geopolíticas que têm rasgado o tecido social do Haiti por mais de 200 anos. E, no entanto, apesar da união de fatores históricos, extrema pobreza, exploração e marginalização, os haitianos têm demonstrado, repetidamente, que estão entre as pessoas mais resistentes do mundo.
Os meus dois anos como diretora da CARE no Haiti fazem parte de quem eu sou hoje. Ninguém pode deixar o Haiti, viver e trabalhar com seu povo vibrante sem ser tocado por sua paixão, promessas e desespero. Eu me lembro de ter chegado a Gonaives - assim que pude entrar após as inundações de 2004- com a morte por todos os lados. Uma sobrevivente grávida de 8 meses caía sob meus joelhos chorando enquanto esperava a ajuda alimentar da CARE. Em meio ao esgoto em torno de nós, tentei entender como ela teve forças para sobreviver e ajudar as suas cinco crianças sob condições tão extremas. Quando li o relato sobre o terremoto, em primeira mão, de minha querida colega Sophie Perez, diretora atual da CARE Haiti, tentei me imaginar no lugar dela… Sophie e sua incrível equipe vão doar 18 horas do seu dia, durante meses a fio, em resposta à crise imediata - para tentar encontrar e apoiar sobreviventes.
Então, eles vão voltar para o penoso processo de reconstrução do Haiti, um bloco de cimento de cada vez. É um trabalho meticuloso sob a face da crítica implacável, nas circunstâncias mais desafiadoras do mundo.
Talvez o nosso sofrimento coletivo nesta tragédia possa levar a algo que ofereça a oportunidade para um novo Haiti, que não repita um sofrimento sem fim, mas sim, um lugar que tenha esperança, dignidade e oportunidade.
Trabalhando ao lado deste grande povo e destes profissionais, sei que nós podemos vencer a pobreza opressiva e defender a dignidade. As pessoas do Haiti não merecem nada menos do que isso. Precisamos assegurar que os problemas criados pelos homens que fazem o Haiti ser tão vulnerável a desastres naturais não se repitam. Nunca mais.

Carol Cunha

De volta pra casa

Rick Perera, coordenador de mídia da CARE, conta como foi a visita à família de um médico muito especial – Dr. Franck Geneus, funcionário da CARE no Haiti.

Acabei de voltar de uma das mais emocionantes visitas das minhas últimas semanas aqui no Haiti. Em Porto Príncipe conheci a família de Franck Geneus, o gentil e dedicado diretor de saúde da CARE Haiti. Suas casas foram destruídas. A família de trinta pessoas está alojada no jardim da pequena casa do irmão de Franck –desde Joelle, sobrinha de cinco meses de Franck, até sua avó Inosie, que diz ter 94 anos.
O pai de Franck, Ovanier, 64, e sua mãe, Marie, 61, ficam sentados no pátio, inquietos e frustrados. Esta família de trabalhadores de classe média perdeu não só a sua casa, mas seus meios de vida: no térreo, o supermercado gerenciado por Marie e, no andar de cima, a escola particular onde Ovanier empregava oito professores e ensinava 100 crianças.
O médico nos leva para ver a sua casa simples, revestida com reboco e tinta rosa. Seus três andares estão pendurados precariamente acima do alicerce destruído, a ponto de colidir sob o entulho da rua.

Frank3 - Dr.Franck e sua sobrinha, de apenas 5 meses

Família Geneus - Franck com sua tia e sobrinhos, alojados no quintal da casa.

franck4 - Dr.Franck, na fachada da sua casa de infância

Franck nasceu, cresceu e casou-se nesta casa. Trabalhou com ajuda humanitária na Ásia, África e América Central e quando retornou ao Haiti, pretendia se mudar para lá com a sua família, cheio de esperanças com a chance de executar o projeto da CARE para fortalecer o frágil sistema de saúde do país. Isso foi há apenas duas semanas antes de 12 de janeiro. Todos sabem o que veio em seguida.
“É a primeira vez que volto aqui desde o terremoto”, diz Franck, sacudindo a cabeça. “Estou em choque.”
Na fachada, através de uma fresta que se abre para o interior da casa, ele aponta o entulho, incluindo um armário, de madeira, quebrado e revestido de poeira. “Meu pai e eu fizemos esse armário, há dez anos”, diz ele com a voz embargada.
Engraçado como esses pequenos detalhes podem fragilizar o coração de alguém cuja vida foi mudada para sempre pelo desastre.
Ainda assim, Franck não está abatido. Ele mergulha em seu trabalho, preparando a estratégia da CARE para gerenciar campos para desabrigados, enfrentar a ameaça de violência contra as mulheres e assumir o desafio de satisfazer as necessidades de saúde das mulheres e crianças.
Este homem simples, de apenas 37 anos, não é apenas um haitiano. Ele é, acima de tudo, uma pessoa que cura, profundamente dedicado à sua família, seu país e seu povo. A CARE tem muita sorte em tê-lo no time.

Assista ao vídeo com depoimento do Dr. Franck, sobre seu retorno ao Haiti (em inglês).

Decidi recentemente voltar para casa, porque meu país está precisando de serviços básicos. Como um médico, não me parece muito correto apenas oferecer serviços e usar meus talentos fora daqui. Eu sei que meu país está sofrendo e e tem necessidades urgentes, então decidi voltar“.
Dr. Franck Geneus

Carol Cunha

Vídeo: doe um futuro para o Haiti

Renata Pereira, gerente de mobilização de recursos da CARE Brasil, fala do trabalho da CARE no Haiti após o terremoto que deixou o país devastado, com três milhões de pessoas afetadas e um milhão de desabrigados. A equipe da CARE está trabalhando na assistência imediata às vítimas nas cidades de Porto Príncipe, Leogane e Jéremie.

Muito mais pode ser feito com a sua participação. Você pode ajudar fazendo uma doação ou divulgando esta ação, colando selos da campanha em seu blog ou site.

Contamos com você!

Clique DOAR para fazer uma doação ao Haiti ou DIVULGAR para ter acesso ao código dos selos para internet.

Agradecemos o apoio da Pólvora! Comunicação e RMA Comunicação, na criação do vídeo, selo e divulgação em redes sociais.

Patrick Solomon/ artigo publicado no site The Huffington Post

Patrick é vice-presidente de Recursos Humanos da CARE USA e supervisiona a atuação de equipes internacionais.

A estrada para o oeste de Porto Príncipe estava tão sombria quanto triste.O terremoto destruiu 90% dos edifícios da cidade de Leogane. Em meio às casas e lojas desmoronadas, pude ver mais corpos - alguns que não estavam lá quando a gente passou no dia anterior.
Cada vítima me lembrou não só o quanto o Haiti perdeu, mas também como é comprido o caminho para a sua recuperação. Porque, no final das contas, é o povo haitiano quem vai reconstruir seu país - tijolo por tijolo, livro por livro.
Esta crença está nos valores de como a CARE está respondendo no Haiti, onde trabalhamos desde 1954. Ao invés de apenas distribuir um caminhão cheio de comida e suprimentos, a CARE está capacitando pessoas da comunidade para serem nossos parceiros na distribuição.
Na primeira visita da nossa equipe a Leogane, nos reunimos com o prefeito e outras lideranças da cidade. Contamos nosso plano para entregar água, galões e kits de higiene. Quando pedimos que eles identificassem os membros mais vulneráveis de suas comunidades - mulheres grávidas, crianças e idosos - nós demos pequenas “fichas” que poderiam ser trocadas por mantimentos.

Solomon1 - (Foto: Evelyn Hockstein/CARE)   Patrick Solomon, supervisiona a distribuição de kits de higiente, feita em Leogane, feita em parceria com a comunidade. O kit inclui produtos como sabonete, escova e pasta de dente, redes para proteção contra mosquitos, entre outros itens.

O resultado foi surpreendente de se testemunhar. Quando chegamos em Leogane, era evidente que as pessoas de lá tinham desenvolvido um plano de distribuição de 1.500 galões e 1.200 kits de higiene. Os voluntários tinham de fato distribuído as fichas nas 14 tendas que foram montadas nos arredores da cidade. E eles nos levaram para a entrada de um edifício de telecomunicações, que foi usado como uma prefeitura improvisada, porque os edifícios públicos foram destruídos. Então, numa fila organizada, as pessoas foram escoltadas até os fundos do edifício, onde a distribuição aconteceu. Eles entregaram as fichas, que foram marcadas para evitar a duplicação.
Talvez a visão mais inspiradora seja a atuação de jovens escoteiros haitianos, meninos e meninas que ajudaram a manter a ordem. Os jovens davam segurança e apoio emocional, enquanto a CARE distribuia kits às mulheres de Leogane, baldes com produtos de higiene pessoal, como sabonete, absorventes e toalhas.
Lá fora, os meninos montavam guarda para ajudar a controlar as pessoas ansiosas, que esperavam a sua vez. As meninas escoteiras, algumas chamadas de “guias”, providenciavam gentilmente as orientações, andando por entre as mulheres cansadas e assustadas que enfrentaram a multidão naquele sol de meio-dia.

CARE2 - (Foto: Evelyn Hockstein/CARE)   Escoteiros ajudam funcionários da CARE a descarregar kits de higiene em Leogane.

Entre as pessoas que ajudavam, estava Joanie Estin, elegante com seu vestido bege e o lenço azul amarrado no pescoço. A jovem de 22 anos vestia as cores do Grupo Escoteiro Ste Rose de Lima, de Leogane. “Tentamos aconselhar as pessoas sobre como manter a calma e ajudamos as agências internacionais nas distribuições”, conta Joanie, com orgulho. “Para mim, é uma ação que me ajuda a me sentir melhor”.
Joanie, como muitos daqueles escoteiros, está tentando lidar com sua própria tragédia pessoal. Ela perdeu seu pai no terremoto. Ele era o único que estava dentro de sua casa, quando ela desabou.
No entanto, lá estava Joanie, vestida com seu uniforme de honra, ajudando seus companheiros sobreviventes a juntar os cacos de suas vidas. Esse tipo de força de vontade é necessária para que o Haiti se levante novamente.
Mas não é o suficiente.
O povo do Haiti precisa de parceiros para somar forças, enquanto eles constroem novas escolas, novos hospitais e, talvez um dia, um novo sentimento de otimismo. Nós da CARE já enviamos reforços para ajudar nossos 133 funcionários – todos, exceto um, são haitianos – que estavam em campo quando o terremoto mudou suas vidas para sempre. A CARE está pensando no longo prazo e tem um plano de cinco anos para ajudar a reconstruir o Haiti. E vamos continuar a nossa atuação baseada no envolvimento comunitário.
Jovens mulheres como Joanie já estão dando os primeiros passos. Depois do terremoto, ela foi capaz de pular a porta dos fundos da sua casa e recuperar alguns pertences. Joanie achou algumas roupas e um estojo de cosméticos. Então ela retirou algo dos escombros - o seu uniforme de escoteira. Uma lembrança que nem o terremoto poderia apagar.

Scouts1 - (Foto: Evelyn Hockstein/CARE)   A escoteira Jonie Estin se reúne com seu chefe escoteiro e um funcionário da CARE para planejar a distribuição no centro de Leogane.

O Dia Mundial da Alimentação é comemorado no 16 de outubro em cerca de 150 países. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e tem como objetivo promover uma reflexão sobre a segurança alimentar no mundo e a qualidade dos alimentos.

Apesar da produção agrícola mundial atingir níveis de produção cada vez mais altos, o fantasma da fome ainda assombra milhões de famílias, principalmente no continente africano. Uma combinação de seca, conflitos e aumento dos preços dos alimentos ameaça a segurança alimentar de mais de 17 milhões de pessoas na região do Chifre da África (nordeste do continente) . É como se toda a população da Austrália ou da Região Metropolitana de São Paulo passasse fome.

Na Etiópia, pelo menos 6 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária. A ONU estima que na Somália, quase metada da população (40%) corre o risco de passar fome e o país está diante de uma crise alimentar que não se vê desde a década de 1990. No Quênia, os preços da alimentação aumentaram quase 50% este ano. Atualmente as famílias pobres do país utilizam cerca de 80% do orçamento familiar para comprar alimentos.

Esses três países caminham para o pico da “estação da fome”, quando os preços dos cereais estão altos e as famílias de agricultores não conseguiram armazenar os estoques das colheitas anteriores. Com os mercados mundiais em uma espiral descrescente e os líderes mundiais alertando para uma recessão global, a crise alimentar e o destino de 17 milhões de pessoas na Àfrica está saindo da lista de prioridades políticas. Esses países já enfrentam uma ameaça que combina seca e o aumento dos preços dos alimentos”, conta Jonathan Mitchell, Diretor de Emergências da CARE. “ Some isso à crise financeira global e as coisas não poderiam ficar pior.”

O relatório da CARE “Living on the Edge of Emergency” divulgado no mês de outubro, alerta para o número de pessoas que vivem à beira de uma emergência alimentar. O número pulou para 220 milhões em 2008 - quase o dobro em relação ao ano de 2006. Enquanto os governos cortam as despesas, a CARE faz um alerta para a comunidade internacional focar os esforços na redução dos riscos de desastres naturais, investir na produção de alimentos e providenciar redes de proteção social de longo prazo para evitar que as famílias mais pobres passem fome. A consequência da falta de ações leva a um constante estado cíclico de ameaças de insegurança alimentar, como a atual crise no Chifre da África. Atualmente a rede CARE Internacional oferece ajuda humanitária para 3 milhões de pessoas na Somália, Etiópia, Quênia e Sudão.

A passagem da tempestade tropical Hanna pelo Haiti no dia 1 de setembro, sete dias depois da passagem do furacão Gustav, deixou o país em estado de emergência. A cidade de Gonaives, localizada a 150 km da capital Porto Príncipe, foi a cidade mais atingida e ficou completamente debaixo d’água e sob uma intensa camada de lama. O desastre natural deixou mais de 500 mortos e milhares de desabrigados no país. A CARE Haiti e outras organizações trabalham em Gonaives na ajuda humanitária aos sobreviventes. Àgua e alimentos são distribuídos para pessoas em vulnerabilidade. É o fim do verão no Haiti e chuvas torrenciais continuam a cair e provocam enchentes.Outras tempestades poderão cair em breve, mas este ano o volume a força da àgua foi maior do que o esperado.

Localizado no Caribe, o Haiti é um dos países mais pobres do mundo e tem sofrido com a pobreza, violência e desemprego, principalmente após os conflitos poíticos de 2004. A CARE Haiti trabalha atualmente no país com o foco na segurança alimentar, saneamento, saúde da mulher, prevenção ao HIV e fortalecimento da sociedade civil e da governança pública. Nas regiões atingidas pelas chuvas uma grande porcentagem da infra-estrutura como estradas, pontes e escolas serão destruídas ou sofrerão estragos. No longo prazo, a destruição da safra agrícola poderá criar escassez de comida. A CARE continuará as suas operações no país e acredita na força do povo haitiano para reconstruir suas comunidades.

Ha  ti fooddistribution70  CA - Fila para distribuição de alimentosPicture distribution 5sept  - Equipe da CARE em ação na distribuição de alimentos
Ha  ti Gona  veStreets98  CARELoetitiaRaymond - Ha  ti Gona  veStreets98  CARELoetitiaRaymond
Ha  ti Gona  veStreets108  CAR - homem tira lama de casa
Picture Praville HEB  Water - Distribuição de alimentos

Carol Cunha

Vídeo da CARE em Mianmar

“Aqui em Yangon, eu vejo muitas pessoas indo pra rua para ajudar a retirar as árvores e os escombros. Eu cheguei até a ver um grupo de monges com serras elétricas. Eu vejo os cabos e postes subirem e a energia elétrica aos poucos está voltando. Alguns semáforos estão funcionando. Algumas pequenas barracas de comida voltaram a funcionar e o mercado ficou aberto por algumas horas. Existe ainda uma grande falta de gasolina. O que mais me chamou a atenção foi o espírito comunitário. As pessoas aqui estão acostumadas a cuidarem uma das outras e elas não estão sentadas esperando que a gente vá ajudá-las”.

Brian Agland, Diretor de Programas da CARE Myanmar, comentando sobre a situação na cidade de Yangon

O Ciclone Nagis atingiu Mianmar no último sábado. Segundo a ONU o desastre deixou mais de um milhão de desabrigados e até agora deixou 80 mil mortos. A CARE vai atuar com ajuda internacional para as vítimas e já está desenvolvendo uma estratégia de distribuição de mantimentos. A CARE trabalha há 14 anos no país com projetos de segurança alimentar, saúde, prevenção ao HIV/AIDS, acesso à água e saneamento básico.

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Caso não consiga visualizar o vídeo no blog, clique aqui para assistir no youtube

Carol Cunha

Ciclone em Mianmar

No último sábado, 3 de maio, o ciclone tropical Nargis atingiu várias regiões de Mianmar (antigamente conhecido como Birmânia), país localizado no sul da Ásia. A velocidade dos ventos chegou a 190 km/h e criou um maremoto que inundou as cidades litorâneas, principalmente Yangon e a região do Delta Irrawaddy.

O fenômeno climático provocou mais de 22 mil mortes e deixou milhares de desabrigados. Segundo autoridades governamentais, 41 mil pessoas estão desaparecidas.

“A nossa experiência em emergências é que a perda de vidas é frequentemente maior do que as estatísticas sugerem”, diz Robert Yallop, diretor de operações exteriores da CARE Austrália. “O tamanho e verdadeiro impacto do Ciclone Nargis ainda serão conhecidos”, acredita Yallop.

As equipes da CARE Internacional estão alocadas em South Dagon e Thaketa, distritos da cidade de Yangon e relataram que milhare de famílias que perderam suas casas estão abrigadas em escolas e Pagodes (templos budistas). As famílias de baixa renda, a maioria vivendo em casas com construções frágeis, foram as mais afetadas.

A CARE vai fornecer comida, barracas e água potável para os desabrigados pelo desastre. A CARE trabalha há 14 anos no país com projetos de segurança alimentar, saúde, prevenção ao HIV/AIDS, acesso a água e saneamento básico. Cerca de 500 funcionários vão trabalhar nesta emergência.

A CARE Bangladesh disponibilizou no youtube um vídeo que mostra o trabalho de distribuição de mantimentos para os sobreviventes do Ciclone Sidr que atingiu o país no dia 15 de novembro. O vídeo está sem tradução ou edição jornalística, mas dá para ver o trabalho de campo das equipes da CARE em Barakhali.

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Caso não consiga visualizar o vídeo no blog, clique aqui para assistir no youtube

A estação das chuvas conhecida como monções provocou fortes enchentes por toda a região sul da Ásia. As enchentes já afetaram pelo menos 35 milhões de pessoas no Paquistão, Índia, Nepal e Bangladesh. A população afetada teve que abandonar suas casas e procurar ajuda em abrigos temporários, lugares onde a estrutura mais confortável é uma barraca feita de plástico.

Uma das maiores ameaça após uma enchente são as doenças relacionadas ao consumo de água contaminada, como a diarréia e a cólera, e podem ser fatais se não forem tratadas a tempo.

No Bangladesh, um dos países mais atingidos pelas enchentes, autoridades de saúde do governo registraram mais de 50.000 casos de doenças, desde que as enchentes atingiram o país no começo do mês de agosto. Cerca de 40% dos pacientes são crianças, mulheres grávidas e idosos.

A CARE Bangladesh vai construir três estações de tratamento provisórias nas cidades de Sirajganj, Jamalpur, e Islampur Upazila. O objetivo é garantir água potável para a população em situação de vulnerabilidade.

Outras ações emergenciais que a CARE Bangladesh participa são o resgate de famílias em áreas isoladas, feitos através de barcos fretados, a distribuição de alimentos e o envio de equipes médicas aos abrigos.

Mesmo com as enchentes sob controle, a crise vai continuar. Muitas pessoas que abandonaram suas casas terão que recompor suas vidas, buscando novos empregos e meios de renda. A economia local terá que se recuperar, porque a segurança alimentar e a produção agrícola está ameaçada pela contaminação de fazendas e alimentos. Estruturas básicas como estradas, pontes e prédios públicos também terão que ser reconstruídos.

A previsão climática é que a estação de monções durem até o final de setembro e que novas enchentes possam piorar a situação na região.

(Com informações da CARE Bangladesh)

Dhaka2 1 2 - família da zona rural
Dhaka4 1 - canoas viram principais meios de transporte