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O Programa Bancos Comunitários e o Programa Piauí realizaram nos dias 13 e 14 de novembro oficinas sobre microcrédito em Cajueiro da Praia (PI) , com o objetivo de capacitar funcionários dos bancos locais e realizar uma construção coletiva de metodologias para os bancos comunitários do estado. As metodologias abordaram a criação de processos, indicadores, fluxos e instrumentos que regulam o acesso ao crédito. As atividades também foram apoiadas pelo Banco Palmas, instituição parceira da CARE Brasil com vasta experiência em economia solidária.

Toda a equipe dos bancos é formada por jovens das comunidades que são capacitados para assumir funções administrativas. Participaram das atividades sete funcionários dos bancos Cocais, Caju da Praia e Semear, localizados respectivamente nos municípios de São João do Arraial, Cajueiro da Praia e Parnaíba.

“Acreditamos que as melhores pessoas para apoiar a construção de metodologias sejam os funcionários dos bancos, pois convivem com a população e entendem melhor suas necessidades e desejos. Por este motivo não elaboramos metodologias no escritório, mas ouvindo as contribuições destes jovens”, explica Patrícia Machado, coordenadora do Programa Bancos Comunitários.

As oficinas trabalharam conceitos sobre economia e diferentes características de microcrédito e seus agentes. O microcrédito é um empréstimo de valor baixo oferecido a um público de baixa renda que não tem acesso às formas convencionais de crédito. O uso do crédito é voltado para a criação e consolidação de pequenos empreendimentos e pagamentos de bens de consumo.

O objetivo das atividades foi criar uma nova metodologia de microcrédito que atenda às demandas do Programa Bancos Comunitários. Construídos coletivamente, os conceitos do Programa foram comparados com conceitos de diferentes atores do setor bancário. Durante os dois dias de oficina os funcionários dos bancos relataram suas experiências diárias e os diálogos com a população local, que já sinaliza uma demanda por microcrédito como um serviço prestado pelos bancos. Atualmente os serviços bancários oferecidos pelos bancos comunitários do Piauí são a troca de moedas, abertura de contas, fluxo de pagamentos e recebimento de benefícios sociais, como aposentadorias.

“Gostei da maneira como foram decididas as propostas, foi bem participativa de ambas as partes”, avalia Jurema Brito, funcionária do Banco Caju da Praia. Os jovens apresentaram sua expectativa com relação ao evento relatando que esperam debates com resultados alcançáveis na área de microcrédito e esperam da equipe e participantes ações de responsabilidade, interação e compromisso.

Como resultado dos encontros, foram elaborados fluxos para acesso ao microcrédito via moeda social e Banco Popular do Brasil, parceiro da CARE na implementação das agências bancárias. “O Instituto Palmas indicou que os caminhos que a CARE está percorrendo são viáveis e possíveis dentro do sistema de bancos comunitários, validando as construções e fluxos definidos durante o encontro”, diz Patrícia.

O acesso ao microcrédito está previsto para começar em fevereiro de 2009. Segundo a coordenadora do Programa Bancos Comunitários, os manuais já estão sendo sistematizados e farão parte da rotina dos bancos comunitários implantados no Piauí e nos futuros bancos que a CARE apoiará em outros estados.

“Queremos profissionalizar a gestão do banco sem deixar de lado sua característica comunitária e seu papel como agência de desenvolvimento local”, sintetiza Patrícia Machado. A CARE Brasil pretende expandir a rede de bancos comunitários para outros estados a partir do próximo ano.

O Banco do Brasil, por intermédio do Banco Popular, a CARE Brasil e o Instituto Palmas assinaram Convênio de Cooperação Geral, no dia 07 de julho, em Brasília.

A parceria buscará promover a melhoria das condições nas vidas de famílias que vivem em situação de pobreza em bairros de baixa renda e comunidades rurais, expandindo a rede de bancos comunitários com a implantação de, inicialmente, vinte bancos em seis estados: Piauí, Bahia, Amazonas, Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, objetiva testar o potencial de implantação de, ao menos, três unidades no exterior: Angola, Moçambique e Paraguai.

Os Bancos Comunitários têm por objetivo oportunizar pequenas atividades econômicas, com distribuição de crédito para atividades produtivas, suporte técnico e gerencial aos micro empreendedores, reorganizar o comércio local, estimular a produção e o consumo e, com isso, melhorar a qualidade de vida das pessoas nas comunidades atendidas gerando maiores oportunidades de emprego e, conseqüentemente, ajudando no combate a pobreza.

O Instituto Palmas, com sua experiência em supervisão e coordenação da rede de bancos comunitários no País, adotará as ações necessárias para a replicação do modelo de bancos comunitários para a CARE Brasil que, por sua vez, será responsável por expandir a rede e contribuir com a oferta de serviços financeiros e apoio técnico aos empreendedores locais.

O Banco Popular disponibilizará linha de microcrédito produtivo orientado, no âmbito do Programa Nacional do Microcrédito Produtivo Orientado - PNMPO, produtos e serviços voltados ao atendimento das necessidades da população de baixa renda e contribuirá para a viabilização dos novos bancos comunitários que serão criados a partir desse Convênio.

A CARE Brasil e o Instituto Palmas possuem qualificação de OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), que prezam pelo fortalecimento e desenvolvimento sócio-econômico-cultural de comunidades de baixa renda. O Banco Popular como subsidiária integral do Banco do Brasil, integrada à Diretoria Menor Renda, tem por objetivo promover a cidadania financeira com a inclusão bancária e acesso ao crédito, estimulando a geração de trabalho e renda e contribuindo para o desenvolvimento social no País.