Out 1st, 2009
Comunidade Educadora promove III Diálogo Comunitário de Aprendzagens em Duque de Caxias: Água e Saneamento Básico
No dia 19 de setembro, ocorreu no JERC (Jardim Escola Reino da Cultura), localizado no bairro Olavo Bilac , o III DICAs ( Diálogo Comunitário de Aprendizagens) promovido pelo projeto Comunidade Educadora do Programa Rio de Janeiro. A temática da atividade, era a discussão sobre a qualidade da água consumida pelos moradores de Duque de Caxias, principalmente dos bairros onde o projeto atua e também as condições de saneamento básico, as quais os mesmos estão sujeitos.
O evento foi iniciado com a apresentação de todos os participantes feita por Edmar Antunes (Diretor da E. M. Dr. Ricardo Augusto de Azeredo Vianna). Logo em seguida, Helenita Maria Bezerra, coordenadora do Comunidade Educadora, falou sobre os estudos da água no município, e convidou seu parceiro na coordenação do projeto e consultor do eixo de Educação Ambiental, Marcelo Aranda, para mostrar os resultados do diagnóstico deste estudo.
A coleta da água foi feita e levada à um laboratório para um técnico especializado fazer o estudo. Foi coletada água das torneiras de várias residências, de um poço artesiano e do córrego do bairro Jardim Leal. Os resultados comprovaram o que de fato era visível, a água do córrego está contaminada, o que foi identificado também na do poço.
“Aqui nós recebemos a oportunidade de falar, de gritar. É importante recebermos água tratada e limpa, temos direito, pagamos por isso, e o risco que as famílias correm? Ainda há falta de conhecimento do perigo”. Raimundo (Morador do Olavo Bilac e presidente da Associação do bairro Periquitos), fala sobre como foi participar do DICA’s
José Cláudio Barros, gerente de programas da CARE, propõe uma divisão de grupos para a discussão de soluções para os problemas presenciados nos bairros e no município. Alguns dos assuntos mais discutidos foram: o caminho que a água percorre antes de chegar nas casas, o abandono e todas as contaminações as quais as famílias são expostas, falta de água e também o armazenamento indevido da mesma mediante a situação.
Foram citadas enchentes que sempre ocorrem quando chove e invadem as casas localizadas no entorno dos córregos. Alertou-se que a comunidade necessita urgentemente melhorar suas condições de saneamento e saúde. Relataram também, a alta dosagem de cloro na água e a carência de uma política ambiental voltada para todas as camadas sociais.
“Falta de conhecimento, conscientização, participação da comunidade, sem participação as coisas se tornam de fato mais difíceis. Estamos no século XXI discutindo saneamento, não cabe só a nós que somos “pagadores” de impostos, ser civis, temos que ser abraçados pelo nosso governo, nos sentimos até lesados, não como um grupo, mas a sociedade como um todo”. Edmar Antunes fala sobre a falta de esclarecimento para a população
Também foi falado sobre a importância dos cuidados que a água deve receber até chegar às residências, como por exemplo, não descuidar da caixa d’água e dispensar o uso do filtro, entre outras. Um dos grupos contou que quando os canos estouram, as rachaduras possibilitam a exposição às bactérias e contaminam a água, que segue em direção às casas para o uso de toda a família.
José Cláudio, finaliza a dinâmica em grupo mostrando à todos como pensar no DICAs como um pontapé inicial para conseguir alcançar os objetivos e mudanças necessárias.
A atividade foi encerrada com uma palestra de Suyá Quintslr, representante da FASE- RIO (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional). A instituição a qual faz parte, é a ONG mais antiga do Brasil. Atua desde de 1961 com o trabalho de organização e desenvolvimento local, comunitário e associativo. Na palestra ela abordou os seguintes assuntos: qualidade da água, o investimento de 700 milhões de dólares em estações mais próximas de Duque de Caxias, mas que não funcionam. Além dos problemas citados anteriormente, ela também fala sobre a não diferenciação de pré escoamento e escoamento. Deveríamos possuir duas redes e não há essa articulação com a CEDAE. O escoamento da água da chuva ocorre junto com o esgoto, e isso é incorreto. E alertou os participantes sobre problemas políticos, falta de verbas e vontade de concluir as obras. Sendo necessário pressão da comunidade.
“A população que deve levar as reinvindicações para as câmaras, os vereadores e as autoridades, com metas claras e objetivas”. conclui Suyá Quintslr.
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