Out 8th, 2008
AS ORIGENS DA POBREZA
Cada pessoa tem uma opinião sobre a origem da pobreza, seja esta objetiva ou subjetiva. Isto se dá pelo fato de quem todos conhecemos e convivemos com a pobreza, e de algum modo refletimos sobre ela, procuramos explicações e definimos soluções hipotéticas de como o assunto deveria ser tratado.
Para algumas pessoas, a pobreza é uma das formas do mal na terra, sempre existiu e sempre existirá, desta forma naturalizando a pobreza. Para outros a pobreza constitui um destino individual, a ser superado individualmente. Existem ainda as interpretações sobre o caráter divino da pobreza, certas pessoas são escolhidas, outras não, ou a pobreza como privação deste mundo a ser superada no próximo.
Existem interpretações de que a pobreza tem sua origem em fenômenos naturais, e existem aqueles que não querem se ocupar do tema. Há ainda a interpretação de que a pobreza é algum tipo de doença, para a qual podemos encontrar algum tipo de vacina para a solução imediata.
Neste contexto importa ressaltar que a pobreza é um fenômeno social. Trata-se de um processo socialmente construído. A pobreza é produzida por certas estruturas sociais de poder. Poder econômico, poder político, poder social.
Assim como a pobreza é construída, produzida, ela pode ser desconstruída. A pobreza, sintetizada na concepção de ser produto da falta de oportunidades e escolhas na vida da pessoa, constitui a maior chaga social de nossa sociedade, e junto com o fenômeno das mudanças climáticas, o maior desafio que a humanidade enfrenta no Século 21.
Para superar o desafio imposto pela pobreza em nosso país, devemos analisar as origens da produção da pobreza. Esta tarefa não é tão difícil como muitos imaginam. É bastante simples identificar os principais atores sociais responsáveis pela produção e reprodução da pobreza. Na sua raiz, as duas principais causas para a produção da pobreza no Brasil são a exclusão do sistema de educação formal e a exclusão do acesso a ativos produtivos para gerar renda familiar.
Ambos os elementos, a educação formal, representada pelo letramento, a alfabetização matemática, o acesso à leitura e a posse de ativos produtivos, representada pelo acesso à terra, água, recursos naturais, justiça, ao mercado e ao consumidor, possibilitam o empoderamento da família ao longo das gerações e a possibilidade de escolha de sair da pobreza.
Para quem acha isso teórico demais, basta assistir o filme “Mandela” em cartaz nos cinemas, e verificar como estes elementos excludentes são transformados em políticas públicas e manteve larga parte da população excluída da riqueza gerada na África do Sul, país muito similar ao Brasil nos mecanismos de produção de pobreza.
Markus Brose é diretor executivo da CARE Brasil
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