
O Banco Comunitário dos Cocais, entidade administrada pelo Conselho de Organizações Comunitárias de Apoio à Inclusão Social, foi inaugurado em dezembro de 2007 na cidade piauiense de São João do Arraial. A iniciativa de criação do banco arraialense, o primeiro comunitário do Piauí, foi do prefeito Francisco Limma, que conheceu a experiência de sucesso do Banco Palmas em Fortaleza(CE). Para a criação do Banco dos Cocais a prefeitura contou com o apoio da CARE Brasil, do Instituto Banco Palmas (Fortaleza) e do Banco Popular do Brasil. O objetivo principal do projeto de Economia Solidária é oferecer microcrédito (alternativo para produtores e consumidores) em moeda social, fortalecendo a economia do município através da geração de emprego e renda.

A Moeda Social, também chamada de Circulante Local, é uma moeda complementar ao Real (Moeda Oficial-R$) criada pelo Banco Comunitário. A principal função da moeda social é fazer o “dinheiro” circular na própria comunidade, ampliando o poder de comercialização local e aumentando a riqueza circulante dentro própria comunidade. As moedas sociais asseguram que a riqueza gerada pela circulação do dinheiro dentro da comunidade fique na própria comunidade, pois as moedas complementares não podem ser utilizadas em outras regiões.

O Banco Comunitário dos Cocais é referência de Economia Solidária para os outros 12 municípios do Território dos Cocais, facilitando a vida da maioria da população local, pois possibilitou que os recebimentos de benefícios, pagamentos e outros serviços bancários fossem efetuados no próprio banco, evitando o deslocamento dos arraialenses para as cidades vizinhas que sediam bancos tradicionais. Mais de 90% dos estabelecimentos comercias de São João do Arraial já aceitam a moeda social.
O Banco dos Cocais é um dos projetos que o Programa Piauí da CARE Brasil apóia e assessora no Território dos Cocais, região do Norte Piauiense que tem aproximadamente 200 mil habitantes.
Rosa Andrade, bióloga, educadora e membro do Conselho da CARE Brasil, visitou o Programa Bahia no mês de fevereiro. É a segunda vez que Rosa visita o projeto e afirma que foi uma experiência muito gratificante pelo contato com as comunidades. “Homens e mulheres relataram as conquistas e preocupações locais, cada um contou sua história com orgulho e emoção”, lembra Rosa.
Rosa fez uma palestra sobre prevenção à AIDS/DST no assentamento Dom Hélder Câmara e participou de reuniões com os membros do assentamento Terra de Santa Cruz. Jovens oriundos do assentamento, alguns cursando a universidade, também conversaram com a comitiva da CARE.
Rosa aponta como destaque da viagem, o envolvimento da comunidade de Terra de Santa Cruz na construção da Agroindústria, onde serão produzidos doces a partir do beneficiamento de frutas locais.
A conselheira também apresentou às comunidades a professora Rachel de Oliveira, docente da Universidade Estadual de Ilhéus e a mais nova membro do Conselho da CARE Brasil.
“É importante o trabalho da equipe da CARE na Bahia, porque ela torna possível os anseios das comunidades, através da asessoria técnica, financeira e principalmente o foco no indivíduo”, explica Rosa. Ela destacou ainda a importância da valorização étnico-racial e da cultura do povo negro, grande maioria nos assentamentos rurais do sul do estado.
Acabamos de receber a triste notícia de Magno Barbosa, 24 anos, líder comunitário do Povo Tupinambá de Olivença, da Aldeia Serra do Padeiro, faleceu no dia 17/03, vítima de acidente automobilístico na BR 101, no município de Gandú. Magno tinha como destino a cidade de Feira de Santana, onde se realizaria a reunião do Conselho Distrital de Saúde Indígena. O carro onde se encontrava capotou, outras três lideranças comunitárias estavam com Magno mas felizmente não sofreram ferimentos.
“O Magno era uma liderança jovem e muito ativa no movimento Tupinambá em Serra do Padeiro. Em minha última viagem, foi possível verificar o carinho e a competência com que dedicava seu tempo à educação indígena e como administrou os recursos recebidos da CARE com eficiência e cuidado”, lembra Waldir Mafra, gerente de finanças da CARE Brasil que visitou o Programa Bahia em fevereiro para realizar auditoria fiscal.
“Que outras vozes, de outros Magnos Tupinambá se levantem, ecoem e sejam sinal de esperança de uma sociedade justa, tolerante e respeitosa”, completa Waldir, sem esconder a emoção. Magno era uma das mais novas lideranças do sul da Bahia. Vinha se destacando na administração do colégio da Serra do Padeiro e tinha um papel importante junto à juventude de sua aldeia e região. O jovem foi um dos idealizadores dos seminários culturais da juventude Tupinambá e fundador do Grupo Jovem Tupinambá da Serra.
A CARE Brasil trabalha junto aos Tupinambás desde o começo do Programa Bahia, em 2002. Entre as ações realizadas, constam a construção de uma roda d’ água para irrigação, construção da casa de farinha e de uma biblioteca comunitária, apoio nos cursos de educação e criação de aves para corte e postura.
Com informações do Conselho Indiginista Missiónário